Você já assistiu ao documentário da Netflix “I AM”, no qual o famoso diretor americano Tom Shadyac (ele dirigiu filmes tais como O mentiroso, Patch Adams, O Professor Aloprado, e outros) procurou responder às seguintes perguntas:

  • O que está de errado no mundo e o que podemos fazer a respeito?
  • Qual o sentido da vida, é competir ou cooperar?

Estas perguntas são bem interessantes de fazer para nós mesmos, o desafio é que para tal precisamos, ao menos, ter (exercitar) algumas competências tais como: empatia e generosidade. Mas falo destas palavras por meio de seus significados baseados em neurociência e cognição – meu viés – devido a minha formação e prática profissional. E para estas precisamos de alguns ingredientes, tais como interesse genuíno, vontade e discernimento para nos conectarmos com quem está próximo e também longe.

O que adianta se intitular empático se cortou relações com a irmã sem dar qualquer chance de comunicação, brigou e não quer mais saber do filho, ou ainda se autodefine como “eu não preciso de ajuda, não me interesso e nem me importo com meus pais” (claro, que cada um tem uma história e estou usando apenas exemplos genéricos, porém comuns).

Logo, eu acrescentaria:

O QUE REALMENTE FAÇO PARA ME MELHORAR, MELHORAR A FAMÍLIA E ARRISCO AINDA, MELHORAR O MUNDO?

Para entendermos a real importância destas palavras precisamos voltar brevemente para o começo da vida, para os estudos sobre o desenvolvimento do cérebro, por meio do qual aprendemos que um bebê primeiro sente o outro (imita, reage…) para então perceber-se. Entende-se como parte indissociada, integral da realidade e só com o tempo, maturação de regiões e redes neurais na interrelação com o ambiente, passa a ser um indivíduo, que é parte mas é um todo ao mesmo tempo. Inclusive, estudos recentes de Richard Davidson (neurocientista) demonstram que nascemos empáticos e vamos perdendo esta competência pelo modo como somos criados e também pelas escolhas que fazemos. Não entrarei aqui no mérito dos aspectos sociais, do quanto de fato temos o domínio de nossas escolhas, mas foco aqui na sugestão de refletirmos com vontade suficiente, em esforço de discernimento e na escolha pelo interesse alheio.

Você já perguntou para sua mãe, ou para seu irmão ou seu filho se você exerce empatia para com ele(s)?
Pergunte o que ele(s) pensam de você?
Você é um bom filho/a? Bom irmão/ã? Bom pai/mãe?

Bom, talvez precise também de um pouco de coragem…(outra competência emocional).

Fala-se muito de empatia, criam programas, discursos, etc em nome desta competência quando muito pouco se vive seu significado. Só para se ter umas ideia, o Brasil está em 51* lugar no ranking da empatia entre 63 países (pesquisa da Universidade Estadual de Michigan*). Empatia é ver o outro com o olhar do outro, é se transportar emocionalmente e cognitivamente para o que o outro sente e pensa, em prol da conexão, do contato empático. Fala-se muito sobre o outro, muitas vezes usando apenas a nossa interpretação, o que eu entendo que o outro quer; o que o outro deve ou não deve fazer, mais pouco sobre o que eu devo, preciso fazer para ser uma pessoa melhor para mim, para o outro e para todos. E mais, esquecemos que para ser é preciso ser junto!

Bem, quando escrevi meu mais recente livro, o Frustração: como treinar suas competências emocionais para enfrentar os desafios da vida pessoal e profissional, procurei abordar 14 competências emocionais que são cruciais para o bem-estar e a superação pessoal dos desafios da vida, que invariavelmente todos passam ou vivem.

A frustração é um dos estados emocionais mais nocivos quando não trabalhados, e claro, um dos capítulos do livro é a Empatia! Mas foi ai que percebi o quanto não sabemos e o quanto propagamos esta palavra, suas definições sem realmente conhecer a profundidade de seu significado e a relevância de se aprender, por meio do treino, tal competência.

Trazendo um pouco da minha experiência pessoal, quando vivi meu o AVC, enquanto me reabilitava de um terremoto na região esquerda do meu cérebro, passei a perceber o mundo de outra forma, como se não houvesse maldade, erros ou diferenças de rivalidade. Me parecia tão claro, como quem coloca um óculos para enxergar mais, ou ainda, retira a lente que deixava tudo mais distorcido, e este olhar mais parecia o olhar empático de uma criança.

Parece até maluquice, dizer que eu enxergava melhor quando meu cérebro estava doente. Mas fato é que outras áreas  cerebrais “descobriram” que poderiam fazer outros caminhos, que poderiam também ser “parceiras” uma das outras, e ainda mais, pois o cérebro já é por si só um exemplo de empatia e generosidade orgânica, quando empresta, simula, colabora e toma decisões conjuntas, sempre buscando o melhor. Sim, é este o trabalho de nosso organismo e que não usamos sua “sabedoria”, e ainda, desperdiçamos quando buscamos qualidade de vida! E foi com este olhar e atitudes de esforço que consegui superar dificuldades bem difíceis de serem reabilitadas. Então experimentei novamente o olhar da empatia genuína, um olhar poderoso, de força, ao contrário do que vejo ainda muitos temerem. Pensar no outro, se esforçar para o seu melhor e do outro é uma jornada em que todos ganham, por incrível que pareça.

Então, para respondermos àquela pergunta, a qual foi mote do documentário “Eu sou”, qual o sentido da sua vida, o que você escolhe? Cooperar ou competir? Será que somos exemplos de empatia para os filhos, funcionários, colegas de trabalho, para os irmãos ou nossos pais? Só assim nosso cérebro e nossa vida responderá à altura.

SE VOCÊ AINDA ACHAR QUE O MAL ESTAR DO OUTRO NÃO TE AFETA, SUGIRO RELEMBRAR O DOCUMENTÁRIO DE 2004 “QUEM SOMOS NÓS” E VER MEU ARTIGO E ENTREVISTA SOBRE CONTÁGIO EMOCIONAL.

 

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*pesquisa da univ. estadual de Michigan*) -artigo de William Chopik do jornal Cross cultural psychology

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